
Se você jogou Pokémon Red, Blue ou Yellow no final dos anos 90, você se lembra do momento exato.
Você saía da alegre e iluminada Vermilion City, passava pelo Rock Tunnel e entrava em uma pequena cidade roxa. De repente, a música de aventura parava. O que começava a tocar era uma melodia dissonante, aguda e profundamente desconfortável.
Bem-vindo a Lavender Town, o lar do cemitério Pokémon e, possivelmente, da lenda urbana mais famosa da história dos videogames.
Mas afinal, a história sobre crianças adoecendo no Japão por causa dessa música é real? Ou é apenas mais uma creepypasta da internet? Hoje, vamos analisar as frequências, a composição de Junichi Masuda e o que realmente estava escondido no cartucho original de Pokémon Green.
O Mito: O Que é a “Síndrome de Lavender Town”?
A lenda surgiu nos primórdios da internet, circulando em fóruns e BBS. A história dizia que, após o lançamento de Pokémon Red e Green no Japão em 1996, houve um pico inexplicável de suicídios e doenças em crianças entre 7 e 12 anos.
Os sintomas relatados incluíam:
- Dores de cabeça severas e enxaquecas;
- Sangramentos nasais;
- Insônia e irritabilidade;
- Em casos extremos, tendências suicidas.
A culpa, segundo a lenda, era da trilha sonora original de Lavender Town. Dizia-se que a música continha “tons binaurais” de alta frequência que apenas ouvidos infantis (que são mais sensíveis a agudos) conseguiam captar, causando danos psicológicos.
A Realidade Técnica:
Por que a música incomoda tanto?
Embora a parte dos suicídios seja comprovadamente falsa (uma invenção de ficção), a teoria sobre o áudio tem um fundo de verdade técnica que torna tudo mais interessante.
A música foi composta por Junichi Masuda, um dos fundadores da Game Freak. A intenção dele era, deliberadamente, criar uma atmosfera “diferente” do resto do jogo. Lavender é um local de morte e luto. A música precisava refletir isso.
A Ciência do Arrepio: O Game Boy original tinha apenas 4 canais de áudio. Masuda usou acordes propositalmente desafinados e uma melodia simples e repetitiva. O efeito desconfortável vem da dissonância.
No entanto, a lenda se apoia em um fato: as primeiras versões japonesas do jogo (v1.0) realmente tinham frequências agudas muito estridentes, que beiravam o limite do desconforto.
Lost Media: A Mudança Silenciosa da Nintendo
A Nintendo, percebendo que a trilha era de fato “aguda demais” ou talvez apenas desagradável, alterou a música para o lançamento internacional (Red e Blue nos EUA e Europa).
Se você jogou a versão americana (que a maioria de nós no Brasil jogou), você ouviu a versão “suavizada”. A versão original, com os tons agudos e “cortantes”, ficou restrita aos primeiros cartuchos japoneses de Pokémon Green e Red.
Isso ajudou a alimentar o mito: “Você jogou a versão americana, por isso está vivo. Os japoneses jogaram a original…”
Conclusão: O Poder da Sugestão
A “Síndrome de Lavender Town” é o exemplo perfeito de como o cérebro humano pode ser hackeado pelo medo. A música é assustadora? Sim. Ela mata? Não.
Mas o fato de que a Nintendo realmente mudou a frequência da música entre as versões serve como combustível para a lenda viver para sempre. Lavender Town nos lembra que, mesmo em um jogo colorido para crianças, os desenvolvedores conseguiam criar atmosferas densas e inesquecíveis.
E você? Ainda sente um frio na espinha quando ouve aquelas quatro primeiras notas?
Gostou de desvendar esse mistério?
O mundo dos jogos antigos está cheio de histórias como essa — algumas falsas, outras perturbadoramente reais.
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